Primeira sustentação oral no Tribunal do Júri é um marco na vida de qualquer advogado criminalista — e, acima de tudo, um desafio que exige mais do que conhecimento jurídico. Exige preparo emocional, bem como, domínio da narrativa e capacidade de conexão com os jurados. Sendo assim, apresentamos um guia detalhado e estratégico para quem está prestes a enfrentar esse momento pela primeira vez. Com foco no que realmente importa: técnica, clareza e humanidade.

Qual é o papel do advogado na primeira sustentação oral?
Antes de tudo, o advogado no Júri deve compreender que sua função vai além da interpretação fria do Direito. Ou seja, ele é a voz de uma história que precisa ser ouvida, compreendida e respeitada. Portanto, significa:
- Construir uma narrativa coerente com as provas dos autos;
- Humanizar o réu, ou seja, sem apelos artificiais;
- Desconstruir o discurso da acusação com lógica, não com ataques;
- Reforçar que, diante da dúvida, absolver é um dever constitucional.
Em outras palavras, o advogado transforma os autos em discurso, e o discurso em decisão.
Como estudar o processo com foco na sustentação?
Primeiramente, é fundamental estudar o processo com método. Ler os autos uma única vez não basta. Para sustentar com segurança, é preciso:
- Revisar a denúncia, os laudos e os depoimentos com atenção redobrada;
- Marcar contradições e lacunas da acusação;
- Escrever os principais fatos da defesa em ordem cronológica;
- Mapear os elementos que favorecem a tese de absolvição ou atenuação.
Assim, você desenvolve segurança técnica para falar com propriedade e refutar a acusação com argumentos sólidos.
Como organizar a estrutura da primeira sustentação oral?
Uma estrutura clássica e segura para a sustentação pode ser dividida em cinco blocos essenciais:
1. Introdução impactante e humanizada
Comece com uma fala que aproxime os jurados do caso. Sendo assim, personalize. Ou seja, faça com que eles vejam o réu como uma pessoa.
“Senhores jurados, hoje não julgamos apenas um fato, mas um ser humano. E antes de tudo, ele merece ser ouvido com justiça.”
2. Linha do tempo dos fatos (versão da defesa)
Apresente a narrativa da defesa com base nas provas. Dessa forma, evite termos técnicos excessivos e deixe claro como os fatos ocorreram segundo o réu.
3. Análise das provas e das dúvidas
Demonstre onde estão os pontos fracos da acusação. Questione com lógica.
“A testemunha disse que viu, mas à noite, a 30 metros, sem óculos, no meio de uma festa?”
4. Tese jurídica da defesa
Negativa de autoria, legítima defesa, ausência de dolo — ou seja, o importante é apresentar a tese com clareza e simplicidade.
5. Conclusão firme e respeitosa
Convide os jurados à reflexão com empatia. Portanto, finalize com convicção:
“Se existe dúvida, senhores jurados, a absolvição é o único caminho justo.”
Como a oratória pode reforçar sua primeira sustentação oral?
Além do conteúdo, a forma como você fala influencia diretamente o impacto da sua mensagem. Sendo assim, alguns cuidados oratórios são fundamentais:
- Modulação vocal: alterne o tom para dar ênfase, bem como, transmitir empatia;
- Contato visual com os jurados: mantenha a conexão, mas sem exageros;
- Alternância de oradores: em sustentações conjuntas, mude o ritmo e mantenha a atenção;
- Evite lentidão excessiva: uma fala monótona dispersa os jurados;
- Foque nos argumentos principais: jurados não querem discursos longos, mas razões claras.
Ou seja, mais importante que falar bonito, é falar com sentido.
Por que treinar a fala é mais eficaz do que decorar?
Treinar a sustentação ajuda a fixar os pontos essenciais sem engessar sua performance. Ao contrário, decorar palavra por palavra pode gerar bloqueios mentais e artificialidade. Portanto:
- Treine a fala em voz alta;
- Grave e ouça para ajustar ritmo e entonação;
- Memorize a estrutura, não o texto completo.
Dessa forma, você ganha fluência e confiança para lidar com imprevistos.
Como lidar com o tempo e o ambiente do plenário?
Você terá uma hora para sustentar — mas isso não significa que deve usá-la integralmente. Ser objetivo e direto aumenta a eficácia do discurso. Além disso:
- Evite gritos, sarcasmos e ironias;
- Mantenha a compostura mesmo em ambientes tensos;
- Foque na credibilidade, não na performance.
Lembre-se: os jurados percebem quando há excesso e podem reagir com rejeição.
Como reagir diante de imprevistos durante a sustentação?
Improvisos fazem parte da dinâmica do Júri. Sendo assim, interrupções da acusação, comentários do juiz ou reações inesperadas exigem do advogado serenidade. Nesses momentos:
- Respire fundo antes de responder;
- Escute com atenção e não reaja no impulso;
- Reforce sua tese com firmeza, mas sem agressividade.
Em outras palavras, maturidade na postura vale tanto quanto eloquência no discurso.
Concluindo,
Por fim, sua primeira sustentação oral no Júri será um divisor de águas. Dessa forma, é natural sentir medo ou insegurança — mas com preparo técnico, domínio da estrutura e respeito ao rito, esse momento se torna o início de uma jornada sólida na advocacia criminal.
Ou seja, não se trata de “vencer” a acusação, mas de cumprir, com dignidade, o papel de defensor. Portanto, confie no estudo, na narrativa e na verdade. Afinal, sua voz importa — e pode fazer toda a diferença entre a condenação e a justiça.
Perguntas respondidas sobre o tema “Primeira Sustentação Oral no Júri”
1. Como lidar com a pressão de estar diante dos jurados pela primeira vez?
A melhor forma de reduzir a pressão é investir em preparação. Portanto, estude os autos com profundidade, treine a fala em voz alta e mantenha o foco na mensagem, não na performance. Ou seja, a segurança tende a crescer naturalmente.
2. É recomendável levar anotações para a sustentação oral?
Sim. Levar um roteiro com tópicos principais pode ajudar a manter a linha de raciocínio e evitar esquecimentos. Contudo, evite ler textos longos — a leitura contínua pode quebrar o contato com os jurados e enfraquecer a conexão.
3. Como adaptar a linguagem jurídica para o entendimento dos jurados?
Evite termos técnicos sempre que possível. Quando precisar usá-los, explique de forma simples. Dessa forma, use exemplos concretos e analogias próximas do cotidiano dos jurados para tornar o conteúdo acessível e envolvente.
4. A introdução da sustentação oral deve seguir um modelo fixo?
Não. Embora uma boa introdução deva sempre prender a atenção e humanizar o caso, o estilo pode variar conforme o perfil do advogado. A chave é ser sincero, respeitoso e direto.
5. O que fazer se o promotor interromper ou contestar durante a fala?
Mantenha a calma. Escute com atenção, aguarde a autorização do juiz para responder e retome sua sustentação com tranquilidade. Ou seja, evite discussões acaloradas ou respostas impulsivas.
6. É permitido interagir diretamente com os jurados?
Sim, dentro dos limites do respeito e da sobriedade. O olhar direto e a linguagem direcionada aos jurados fortalecem a conexão. Contudo, evite exageros ou tentativas de manipulação emocional.
7. Como controlar o tempo sem perder a profundidade da argumentação na sustentação oral?
Treine sua sustentação com cronômetro. Isso ajuda a priorizar os pontos principais e ajustar o ritmo. Estruturar a fala em blocos facilita o controle do tempo e garante clareza.
8. Quais erros mais comuns jovens advogados cometem na primeira sustentação oral?
Falar demais sem foco, tentar impressionar com excesso de eloquência, ignorar a linguagem dos jurados e desprezar a preparação emocional. Evitar esses erros já é meio caminho andado para uma sustentação eficaz.

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